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domingo, 29 de janeiro de 2017

Para aqueles que fazem HQ no Brasil...


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Dia do quadrinho nacional

Achem o Dédis neste desenho.



Pois é, organizado pelo talentoso Gustavo Borges de "A entediante vida de Morte Crens" e "Edgar" uniu inúmeros artistas nacionais para comemorarmos juntos este dia tão especial para nós.

Nunca esquecendo a origem desse dia que foi em 1869 que Angelo Agostini publicou o que é considerada a primeira aparição de um personagem fixo de quadrinhos no Brasil: As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, no jornal Vida Fluminense.

Desde então, esta data é comemorada por muitos anos por profissionais do meio.
Parabéns a todos nós!

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PS: Eis a lista de participantes.

Luis Felipe Garrocho - http://bufasdanadas.com/
Digo Freitas - http://digofreitas.com/
Leonardo Maciel -  http://nabundanada.com/
Rogério de Souza - http://www.debiverso.com.br/
Henrique Welbber - http://www.talcoeshow.com/
Pedro Hutsh Balboni - http://joaosejoanas.com/
Felipe 5Horas - http://kokocast.com/
Carlos Estefan e Mauro Souza – http://jonesinc.com.br/ 
Rafael Marçal - http://profeticos.net/
Rafael B. Dourado - http://blog.sapobrothers.net/
Felipe Assumpção Soares - http://www.botamem.com/
Mauricio de Sousa – http://www.turmadamonica.com.br
Fernando Cintra - http://pqartblog.blogspot.com.br/ 
Robson Reiz - www.robiscos.com
Walmir Orlandeli - http://ultimaquimera.com.br/
Elisa kwon - http://elisaymk.com
Vitor Peluso - Behance.net/peluso


domingo, 21 de julho de 2013

Problemas da Criação #24


O fenômeno da história ruim. 
Por Rogério DeSouza 

  Num  momento eu pensei: “Como fazer boas histórias”, mas daí eu percebi que seria uma coisa difícil de fazer, pois não tenho a noção de que minhas histórias são o suficientemente boas, na minha perspectiva inicial sim, mas no geral não tenho idéia exata do que as pessoas acham do que faço, por isso não posso me dar o luxo, pelo menos em minha opinião, de dizer como fazer histórias boas. Mas vou num caminho contrário. Baseado em inúmeras resenhas, opiniões e meu próprio ponto de vista vou falar sobre histórias ruins e como elas acontecem ou não, tanto nos quadrinhos, cinema e outras mídias. 

 O primeiro quesito ao qual posso começar é a ambição, ou seja, cenas de impacto, visual dos personagens e ambientação, bons efeitos, investimento maciço... Apenas isso. Nenhuma história ou trama que ajude a nos envolver com os personagens, apenas quer vendê-los ao público usando o visual. Ha muitas situações em que se apropriam de uma marca/personagem já consagrada e usa sem se ater no que fazia aquilo bom. Isto é um dos principais problemas da indústria, tanto dos quadrinhos quanto do cinema.
Atrelado a isso vem o segundo quesito: Carência de criatividade. Quando fazemos histórias em escala industrial não temos muito tempo para pensar em novas idéias e tão pouco arriscar colocá-las no mercado, pois o retorno tem que ser imediato. Há um abuso substancial nos clichês ou o pensamento equivocado de que a história possa se sustentar apenas neles caracterizando pouca inspiração.
Mesmo assim gostei dessa história.

O desleixo é uma causa comum, tanto na indústria, quanto no independente (no qual me incluo). É deixar todos esses erros acontecerem. Até comprometendo a parte visual da obra. Também uma falta de pesquisa mais aprofundada naquilo que quer fazer e falta de preparo ou instrução contribuem a pouca qualidade do material. Isto ocorre muito com iniciantes independentes que sem um mentor ou editor às vezes não percebem os erros que cometem. Já se for algo mais profissional, a culpa recai sobre a equipe criativa inteira, que muitas vezes acha que a fórmula do que quer que esteja fazendo irá sobrepor as falhas óbvias. E muitas pessoas envolvidas podem até atrapalhar o processo criativo.
Mesmo sem tecnica alguma já fazia histórias para públicá-las, hoje ainda cometo erros, mas isso deixaremos para ver depois.

E é ai que vamos a um termo que ouvi de meu colega Rodjer Goulart (Dragão Escarlate) que guardo na cabeça até então: Excesso de criatividade. É você colocar elementos na história sem a devida necessidade, coisas que não tem a mínima importância para a trama ou para o personagem. Inventar coisas completamente fora de contexto ou incoerentes melhor dizendo “viajar na maionese”, também vem da arrogância do autor.
Deixar a trama complexa demais não vai tornar sua história mais Inteligente e sim mais chata e até entediante. Está certo que não devemos subestimar a inteligência do espectador/leitor, mas temos que ter um equilíbrio correto entre entreter e passar alguma coisa ao público nas entrelinhas.

  Mas tem casos que você é agraciado com uma seqüência ou series de boas histórias, mas de repente ha desgaste de idéias, pensamentos e estilo e como resultado as pessoas começam a rejeitar suas tramas se opor as maneiras que você resolve situações ou até seu estilo de traço. O pior que sua persistência, às vezes complica a situação chegando a atingir toda sua carreira, sistematicamente.
Mas eis um dos fatores que nos foge completamente de nosso controle: A perspectiva. O que é bom para um é ruim para o outro e vice versa. Muitas vezes nos decepcionávamos quando mostramos nosso trabalho para alguém fora nossos pais e esta pessoa não achar aquilo tão bom quanto nossos parentes acharam. Se por um lado isto no inicio é bom para a evolução de nosso trabalho, por outro, quando a obra é mais abrangente e atinge o público ha aquela divergência de opiniões que independente da qualidade, complica a aceitação, pois sua renovação e expansão de público esta a mercê da opinião alheia e como sabemos parte do público muitas vezes segue a crítica especializada para ter uma noção no que vale a pena gastar seu dinheiro. Ou em outro caso seguem a “moda” ou o que esta bombando no momento totalmente apático a qualidade da obra por simplesmente não se importar com isso.
   Como exemplo eu posso dizer que gosto do primeiro filme dos Transformers, filme que muitos odeiam e não gostei do final de “Onde os fracos não têm vez” um bom filme que muitos adoram. Ou seja, relevei umas coisas e não engoli outras. E é o que o público faz de maneira imprevisível, o que torna difícil criar uma fórmula para uma história eficaz. Você pode criar uma história para um nicho, o que não é ruim, mas não vá esperando se sustentar apenas com isso se for restrito demais ou recriminar quem não o valoriza, são apenas opiniões divergentes da sua e de outros que admiram seu trabalho.

Deixo um pouco fora da discussão obras feitas para parecerem ser ruins ou gênero trash para ser exato.
Também existem histórias tão ruins e mal feitas que chegam a ser divertidas de ver, como um filme recente sobre um tornado de tubarões, vejam só...


Concluindo, é inevitável fazer uma história ruim ou com baixa qualidade ou até com qualidade, mas que ninguém goste, pois a história ruim simplesmente surge como um fenômeno pouco bem vindo no currículo artístico de criação que na maioria das vezes não damos conta ou ignoramos. Para mim o negócio é simplesmente baixar a cabeça e fazer alheio a tudo mantendo suas convicções e o equilíbrio de sua produção. O que acontecer depois já é outra história, seja ela boa ou ruim.

quarta-feira, 20 de março de 2013

No ArgCast sobre um "jênio" dos quadrinhos!


     Mais uma vez me atrevo a brandir a minha voz para falar do genial e genioso ROB LIEFIELD, com a presença dos amigos Daniel HDR, Rodjer Goulart, Guilherme "Sorg" Fonseca (Baile dos Enxutos) e Bernardo Cury ( ou o "falecido" Malandrox do MdM). Nós relembramos as nossas primeiras impressões da arte de Rob e darmos umas risadas dos erros e mais erros deste símbolo dos anos noventa dos quadrinhos que me fez pensar: "Já que ele desenha assim e tá no mercado então, aqui vou eu!"
     OUÇAM!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Problemas da Criação #16



AÇÃO EXECUTIVA
Por Rogério DeSouza


Bom, muitos vêem quadrinhos como arte. Um meio de se expressar através da grafia do traço, na narrativa das imagens e sensibilidade nos textos. Afinal de contas estamos falando da nona arte. No entanto o artista necessita se sustentar, se quer viver disso precisa vender sua arte, sempre foi assim e sempre será.

Vejamos dois pontos primeiro:

Mauricio de Sousa e Bill Watterson dois artistas distintos.


Mauricio de Sousa é criador da Turma da Mônica, a mais de quarenta anos e sendo publicados ininterruptamente no Brasil e alguns países. Antes Mauricio começou como repórter policial, depois largou o oficio deprimente e começou a fazer tiras do Bidu, depois vieram o Cebolinha, Cascão e a Mônica (inspirada em uma de suas filhas) a partir daí o sucesso aumentou a tal ponto que contratou colaboradores e resolveu ampliar o universo dos seus personagens. Hoje os vemos animações, camisetas, tênis, brinquedos, etc...

Bill Watterson é um chargista americano, em 1985 começou com as tiras de Calvin e Haroldo (Calvin and Hobbes) alcançando fama em todo o mundo ao contar as histórias do garoto hiperativo Calvin e seu tigre de pelúcia que na imaginação do menino andava e falava com ele. Sua obra influenciou muitos artistas no meio, mas nunca comercializou seu trabalho colocando seus personagens em lancheiras, camisas, brinquedos, etc. Subitamente em 1995 se aposentou e passou a se dedicar a pintura.

Falo desses exemplos, pois além de serem artistas aos quais tenho admiração, ambos tem o controle sobre aquilo que produzem no caso Mauricio de Sousa deixou parcialmente de fazer as suas tiras para se dedicar a administrar a imagem de suas criações, já Bill Watterson largou tudo de vez para se dedicar apenas a arte e não permite que ninguém utilize suas criações.

Agora vamos ao terceiro lado da história, Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938 criaram um dos mais conhecidos personagens de todos os tempos: Superman (Super-homem para os conservadores.)


O personagem foi grande sucesso de vendas em sua época, no entanto, seus criadores sequer tinham seus nomes citados nos créditos de criação, por muitos anos. Tardiamente foram lhe dados o devido reconhecimento e até hoje seus herdeiros brigam com a editora pelos lucros envolvidos com a imagem do homem de aço.
Hoje muitos personagens estão nas mãos das grandes editoras e corporações do entretenimento. Ou seja, você acha que Stan Lee tem o controle sobre o que é feito com o Homem Aranha? Engana-se, apesar de seu nome estar lá, Stan Lee já não trabalha mais com suas criações da Marvel, deixando tudo nas mãos dos editores e executivos da empresa e recebendo apenas royalties.
É assim que se resumem as editoras Marvel e DC, são parte de um conglomerado do entretenimento e como tal vive de lucros. Se não vende é cancelado, mesmo tendo qualidade, é simples. Se as vendas estão baixas mudanças tem que acontecer e ai surge alguma grande saga para mudar o status do personagem e assim causar interesse de leitores novos e antigos fiéis que compram qualquer coisa do personagem.
Sim, há boas histórias escritas por bons artistas como Grant Morrison, Alan Moore, Frank Miller, Brian Michael Bendis e outros. Mas são meramente pontuais, trabalhos contratados de pessoas que tentam arrumar a bagunça de outras num ciclo interminável de incoerência. Se você for pontual com o que lê, pode até encontrar boas histórias nas grandes editoras, no Brasil é um pouco difícil, pois estamos presos aos “mixies” onde geralmente apenas uma história da revista é boa.
O grande problema dos quadrinhos do mainstream são seus financiadores, pessoas acostumadas em números e vendas sem nenhum sentimento com quem faz ou lê as histórias tomando decisões muitas vezes inequívocas.
O que esses executivos ou donos de editoras deveriam fazer é pesquisar não o mercado, mas sim o público. Saber o que todos gostamos e o que não gostamos, arriscar com novidades e por ai vai.
E o que o público faz a respeito? Pelo que eu vejo ou continuam acomodamente comprando ou reclamam muito no Twiter, nos fóruns, nos comentários de matérias relacionadas e em seus blogs pessoais (como aparentemente estou fazendo). Sob protesto, muitos deixam de comprar ou baixam scans, na esperança que baixando as vendas vá atingir os executivos, que como disse só vê números e não faz pesquisa de opinião. E o que você acha que eles vão fazer? Matar um grande personagem, fazer uma nova saga ou um reboot mudando tudo novamente, é isso.
Sou um pouco insistente com relação do contato entre o leitor e a editora, pode parecer inviável, mas se formássemos grupos de leitores, fornecermos números, catálogos, interesses a essas editoras, talvez possamos contrabalançar esses problemas. Todos esses personagens saíram do controle de seus criadores há décadas e estão sob o controle de artistas de estilos distintos, de editores submissos com idéias adversas e os executivos que querem lucros em seus investimentos.

Em outro parâmetro, temos o Mangá. Embora tenha certo nível comercial, a grande maioria de seus autores tem controle sobre suas obras e muitas vezes largam a serie para produzir animação dela. Por depender totalmente da eficiência do artista, muitas dessas séries saem com atraso de meses e até anos. Para sanar isso, alguns contratam colaboradores para cenários e coisas mais complexas. De qualquer forma, o mangá é um exemplo a ser seguido em matéria de ter o controle sobre o que fazer com seu trabalho autoral mesmo com o risco da ocidentalização.

Os executivos do lado ocidental muitas vezes não entendem o que faz dessas obras interessantes ao tentarem adequar ao seu mercado e o resultado muitas vezes é vexatório.

Bom, a questão do artista novato é qual o rumo que ele quer tomar, se quer “comercializar” sua obra ou quer apenas fazer "arte". O importante é ter o controle da sua obra tanto no seu lado comercial ou artístico, manter padrões e alterá-los quando for necessário. Seguir tendências não é exatamente um crime se for uma coisa bem feita e coerente ao seu estilo. E se no futuro pensar em só viver de royalties, tenha um pouco de consideração com seus admiradores e garanta que seu legado esteja sendo mostrado de maneira apresentável.
Confesso aqui que viso trabalhar com meus personagens em outras mídias senão quadrinhos, afinal eu adoro animações, cinema e videogame, vê-los nessas mídias poderia ser criativamente desafiador. Também a aqueles que gostam de meus personagens, oferecer coisas como camisas e bonés... Megalomaníaco pode até ser, mas penso no futuro dos meus familiares, na criação de um mercado mais amplo de quadrinhos e demais seguimentos do entretenimento aqui no Brasil.
Claro, tem o outro lado, abriria mão de milhões para não fazer alguma coisa que não tenha absolutamente nada relacionado com o que faço ou tenha nenhuma afinidade com o que gosto.
Acho importante o artista manter as rédeas daquilo que cria, assim como Bill Watterson que não deixa mexerem em seus personagens mesmo tendo deixado de fazer sua produção com apenas uma década e assim como Maurício de Sousa que licencia os seus sob rígidas condições de traço e abordagem das histórias. Se deixarmos tudo para os outros corremos o risco de desiludir pessoas que admiravam essas criações e no fim começam a discutir infinitamente em seus twitters, fóruns e blogs abalando o interesse sobre a nona arte.
Quanto aos leitores, reitero que não se pode esperar muito de personagens licenciados por grandes editoras a não ser conseguir o contato direto seja qual for o jeito, pois são grandes elefantes que não enxergam nada além de sua necessidade e sobrevivência, temos que apenas chamar sua atenção sobre nossas necessidades. Quem sabe possamos parar as sagas manjadas, mortes/ressurreições e reboots sem sentido e apenas ler boas histórias.

Com a palavra:

Bill Waltterson

Entrevista com Mauricio de Sousa, feita ha algum tempo sobre seu trabalho. (Universo HQ) PARTE1 e PARTE2

Mark Millar (Superman: Foice e Martelo, Supremos) sobre o "reboot" da DC comics e grandes editoras.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Promoção de natal Dinamo HQ

O Dinamo Studio resolveu inovar e fazer uma Promoção de Natal dos seus cursos de DESENHO, ILUSTRAÇÃO e QUADRINHOS!

Quer presentear aquela pessoa que você sabe ter talento e que vai achar o máximo aprender e aprimorar suas técnicas de Ilustração? Além de aprender mais sobre a produção de histórias em quadrinhos para meios digitais e impressos?

Ou então você que ama desenhar e criar seus personagens, ou está construindo seu portifólio pessoal, mas está sempre deixando para depois?

A hora é AGORA!

Entre para as novas turmas do Nível 1 (Desenho e Ilustração) e Nível 2 (Histórias em Quadrinhos) com preços especiais!!!

Por apenas 2 x de R$ 195,00 ou à vista por R$ 350,00, você ganha um curso completo da turma que escolher (Nível 1 ou Nível 2) , com material didático de apostilas, pasta, estojo, bloco de esboço e papel especial para desenho, orientação e instrução constante em aula por professores com formação e atuação profissionais (sempre 2 professores presentes em sala), aulas especiais de reforço… tudo isso incluso!

As vagas são limitadas e esta promoção se encerra dia 31 de dezembro!

As turmas iniciarão aulas em 19 de março! Entre o ano sabendo que você não deixou para depois! Inscreva-se em nosso contato, ou pelo telefones: 51-3019-7427 ou 51 – 9327-7170.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Problemas da Criação #05


O quadrinho brasileiro parte01
Por Rogério DeSouza

Ha quase um mês, estava zapeando nos sites onde costumo ler noticias e outras bobagens, quando me deparo com uma matéria do site “Melhores do Mundo.net” sobre um suposto plágio de antigos heróis brasileiros por editoras americanas há décadas atrás. A matéria questiona a veracidade da história e de seu autor. O assunto se estendeu nos comentários em seguida causando furor e textos longos. Aquela discussão havia me instigado a pensar sobre o quadrinho nacional.

Como disse nos comentários de lá, creio que o gênero HQB seja todo e qualquer quadrinho que esteja sendo produzido aqui, pois somos tão influenciados externamente seja comics, europeu ou mangá, que é difícil tirarmos uma referencia de nós mesmos. Se considerarmos isso independente do gênero de história nós estamos produzindo HQs nacionais.

Uma questão que sempre me perseguia é por que nosso quadrinho, não emplaca? Ah, sim! Mauricio de Sousa é uma grande exceção neste cenário trágico do quadrinho nacional.

A palavra “trágico” é um pouco alarmista, mas ilustra bem o que esta acontecendo com um gênero que esta se estagnando frente a outras mídias. Relegando algumas revistas a poucos números antes de serem canceladas ou não passando da primeira edição.

Muitos atribuem isso a qualidade dos trabalhos feitos e até certo ponto, concordo com isso, pois o artista independente geralmente é amador. Não basta apenas saber desenhar, fazer um gibi exige saber fazer uma boa diagramação, ortografia nos textos, sempre revisar o trabalho, imprimi-lo, etc. Eu mesmo sofro um pouco pela minha pouca habilidade em montar um gibi de maneira decente.

Outro fator seria a distribuição das revistas. Há editoras grandes que possuem tal aparato, mas não investem ou deixaram de investir em quadrinhos. Enquanto aos pequenos editores têm que se virar. Muitos estão dando um jeitinho para burlar isso, um desses são o pessoal do 4º mundo, que tem ajudado bastante trabalhos independentes.
Também temos a frieza do público brasileiro em relação ao que é produzido em seu país. O motivo seria atribuído ao que eu disse sobre qualidade, as pessoas (em grande parte dos leitores assíduos de quadrinhos) não perdoam amadorismos, como conseqüência se fecha para boas obras independentes. Também ha o ingênuo pensamento de que tudo que vem de fora é melhor. Lembrem-se, nem todos pesam assim, mas esta parcela é pequena.

Falta de incentivo pesa, pois o artista no Brasil, em sua maioria não pode viver deste oficio integralmente. O que poderia ser um trabalho mais profissional acaba se tornando algo próximo de um hobbie, tendo todo seu tempo hábil disponível a outras tarefas e menos tempo para concluir qualquer projeto que vingue.

As grandes editoras tem certa parcela de culpa por seu receio típico de experimentação, em contrapartida não podemos condená-la por isso, pois ela se sustenta basicamente de vendas e se o gibi não vender é prejuízo. Com isso lamentavelmente não dá espaço para inovações.

Algumas editoras menores publicam trabalhos em formato álbum para livrarias. O único seguimento que consegue periodicidade nas bancas são os infantis, especialidade de Mauricio de Sousa, é claro. No entanto a Turma da Mônica é o único que se sustenta no mercado atualmente com regularidade.

Em minha opinião, a solução pode ser:

Criar um meio de distribuição barato e acessível.

Pensar no seu trabalho como um álbum para livrarias e comic shops.

Cooperação entre artistas é importantíssimo no processo, nem que seja apenas para terem um contato no meio.

Criar um mercado, ai é muito difícil. Tudo dependeria de uma massiva campanha de marketing e um trabalho profissional e de qualidade.

A internet, que é um lugar prolixo para artistas que queiram mostrar sua arte (vide o cara que vos escreve!) então é um bom lugar para começar. Scott McCloud autor de “Desvendando os quadrinhos”, profetiza em seus livros que os quadrinhos digitais são o caminho, pois a internet abrange o público global.

Os estudiosos no assunto prevêem que o gibi de banca como mídia rentável acabará em detrimento de vários fatores, se tornando um artigo de luxo para livrarias. O que pode sobrar nesta área é apenas HQs infantis. No momento em que você, jovem artista brasileiro resolver querer fazer quadrinhos, tenha isso em mente, mas não se abata, continue. Talvez você mude este cenário.
Falaremos mais sobre HQ nacional a seguir.