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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Problemas da criação #15


A era da mudança
Por Rogério DeSouza

Os quadrinhos, segundo estudiosos no assunto, existem há mais de cem anos.
Mas vamos nos ater aos tempos contemporâneos, onde temos uma indústria existente desde o inicio do século vinte e ainda encontramos inúmeras histórias e personagens de vários tipos.
Alguns desses personagens estão ai até hoje mesclados ao nosso dia a dia, como se sempre estivessem existido.
Mas, o tempo é implacável, se vocês vissem o Erasmo Carlos hoje sabem o que eu quero dizer.
É! As pessoas mudam, no entanto os personagens dos quadrinhos continuam imutáveis para sempre... Bem, agora nem tanto.
Como bem sabemos tudo muda com o tempo desde nossa forma de pensar como nossa forma de vestir. Isso faz parte da evolução, seja para o bem ou para o mal.
Nos quadrinhos, existem personagens que pouco mudaram com o passar dos anos, pois sua fama é tamanha que transcende gerações, ignorando modismos e outras tentações capitalistas. Mesmo assim, eles se sustentam por base dos seus antigos leitores ou se ambientam em épocas específicas, como no velho oeste. As únicas mudanças que tais personagens poderiam sofrer apenas na estrutura de história e estética ou traço.
Mas sempre há o problema dessas criações se tornarem datados.
Para contornar esse problema, vários autores e editoras recorrem para “universos alternativos” um exemplo é a Turma da Mônica Jovem, uma linha alternativa dos personagens de Mauricio de Sousa para uma nova geração com um traço inspirado no mangá.



Outro fator referente a esses títulos alternativos (com o qual farei outro PDC sobre isso) é como as pessoas os encaram. Um exemplo óbvio é as séries animadas do Batman, nos anos noventa. Bruce Timm e Paul Dini criaram uma das melhores animações com o homem morcego de todos os tempos abrindo leque para animações do Superman e posteriormente para Liga da Justiça.






Com o tempo novas séries do Batman foram criadas como The Batman e Batman: the brave and the bold, tirando Batman Beyond que fora igualmente elogiada essas duas séries dividiram opiniões, pois as temáticas são diferentes. Uma frisa a nova geração e a outra a antiga geração pré- Neal Adams/Frank Miller (Era de prata) para atrair outra geração de fãs. O apego a uma vertente impede a apreciação da obra, independente de sua qualidade.
É o apego a cronologia, coisa que muitos leitores de quadrinhos são “vitima”. Qualquer coisa fora dela é vista como um insulto ao histórico do personagem.

No universo do cartoon, o que muda geralmente é o traço, ou seja, por evolução do próprio artista como o caso da própria turma da Mônica, Charlie Brown, Calvin e Haroldo (mudanças sutis, diga-se de passagem). Ou por trabalhar com artistas de estilos diferentes do original.
Em outros casos, no comics geralmente, os personagens vivem uma constante de mudanças irrefreável. Hora para atender aos tempos modernos e hora para atender os fãs mais conservadores. Os personagens mudam tanto física quanto mentalmente, muitas vezes seguindo uma tendência ou a visão de um artista conceituado.
Um problema neste caso se refere à inconstância na retratação do personagem diante de determinado público, gerando um conflito de gerações.
Mexer nestes ícones é tão polemico quanto ilustrar uma figura de Maomé, não importa o quão criativo possa apresentar a proposta sobre ele. Se ela for bem aceita durará o tempo que for, mas cedo ou tarde voltará ao seu antigo status. Se não for muito bem aceita rapidamente será desconsiderada.
Existem alguns exemplos de mudanças, como o casamento do Homem Aranha, a substituição do Capitão America e Batman por seus pupilos agora adultos, O Superman de Energia, Justiceiro anjo ou “frankeisntein”, Demolidor líder de um clã de ninjas, Batman/Bruce Wayne financiando outros vigilantes publicamente, O Quarteto fantástico mudando de uniformes e nome da equipe, etc...







Algumas destas idéias claramente são exageros, típicos para alavancar vendas ou simplesmente um equivoco criativo numa tentativa de tentar se reinventar diante de um público cada vez mais exigente e inconstante.
Quanto a esse assunto sou um pouco “chapa branca”, está certo que transformar um anti-herói urbano como o Justiceiro em anjo ou um sabe lá o que, é uma bobagem sem tamanho, pois é um personagem restrito ao seu ambiente, mais verossímil. No entanto coisas como fazê-lo caçar super-vilões usando armas incomuns esta dentro de sua índole em um universo de deuses e monstros é no mínimo aceitável.
O problema se reside a restrição do ícone, ou seja, o personagem mesmo tendo um histórico de mais de setenta anos, não tenha mudanças abrasivas em suas condições físicas, sociais e mentais. Muitos autores se afastam desse tipo de personagem simplesmente por não poder trazer nada de novo a ele. O complicado é que esse padrão tanto afasta quando fixa o fã. Para ser sincero isto me deixa confuso.
O mangá em sua grande maioria das obras, não sofre destes problemas, já que se trata de obras de um único autor e também possuir o básico: começo, meio e fim. Com isto os personagens podem mudar e evoluir com o passar da história até seu derradeiro final.
Um exemplo mais popular é Dragon Ball e suas fases, com personagens mudando tanto fisicamente, quanto mentalmente. Acredito que isto deveria acontecer nos comics também.
Olha, apesar de ser condescendente a isso, não quer dizer que eu vá transformar meus personagens infantis em adultos da noite pro dia, a coisa tem que ser espontânea além de rendimentos e audiência. O fato de não fazer isto agora é simples: É MUITO CEDO. Minhas criações não têm tantos anos de estrada para terem certo tipo de evolução, talvez nem queira que isto aconteça tão cedo, mas irá acontecer de alguma maneira.
Na minha concepção, quando trabalhamos com personagens e lhe damos uma linha temporal linear, tudo nela é passível de mudança, às vezes sutis e outras chamativas. Você pode deixar o personagem imutável incólume, mas tenha cuidado para não torná-lo cansativo, faço-o atingir algum objetivo para depois criar outro.
Não é crime mudar a aparência ou vestimenta de sua criação desde que tenha em mente que deva haver padrões com o qual o leitor se familiarize e que se adapte aos novos tempos.
Como leitores e autores nós temos que saber discernir as coisas e estarmos preparados para as mudanças, para o bem ou para o mal.

Cliquem aqui e reflitam...


Ah! Esse é o Dédis antigo (1984), gostaram?